Existe um comportamento que, na minha opinião, vai se tornar um dos maiores desafios da adoção de IA nas organizações nos próximos anos: as pessoas ainda não têm percepção clara de quanto custa utilizar um modelo de IA. E, quando essa percepção não existe, a escolha deixa de ser econômica e passa a ser quase automática, guiada pela sensação de que o modelo mais poderoso será sempre a melhor opção.
Imagine que alguém coloque diante de você dois iPhones, um modelo padrão e um Pro Max, mas sem mostrar o preço de nenhum deles. A maioria das pessoas provavelmente escolheria o Pro Max. Não necessariamente porque precisa de todos os recursos adicionais, mas porque, se o custo parece ser o mesmo, não existe uma razão aparente para escolher uma versão considerada inferior.
Com os modelos de IA acontece algo muito parecido. Quando um usuário encontra várias opções disponíveis, a tendência natural é escolher o modelo mais avançado, mesmo quando a tarefa é simples e poderia ser resolvida com praticamente a mesma qualidade por um modelo mais leve, mais rápido e muito mais barato. O ponto central é que, na percepção do usuário, esse custo não está visível. Para ele, a escolha parece gratuita.
Esse é o verdadeiro risco. O problema não é que as pessoas façam escolhas ruins de forma consciente, mas que tomem decisões sem compreender o impacto financeiro acumulado de cada interação. Uma única escolha inadequada parece irrelevante, mas, quando multiplicada por centenas ou milhares de pessoas
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